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domingo, 2 de outubro de 2016

Livro: "O coração das trevas"e o filme "Apocalypse now"






O livro O coração das trevas faz parte da coleção da Folha, Grandes Nomes da Literatura. Na semana em que chegou a mim, resolvi fazer a leitura, pois além de ser um livro curtinho (111p.), o autor (Joseph Conrad) foi considerado um dos caras pra se ler antes de morrer. E o resultado foi... que me arrastei bastante nessa leitura, demorei mais do que o planejado, não porque o livro era tão bom que me fizesse querer degustar cada palavra, mas num sentido não tão favorável. Na minha cabeça o autor prometeu tamanho horror em meio à selva, mas enquanto leitora não consegui chegar a esse nível de horror prometido. Então fui procurar o filme para assistir. Depois de muito pesquisar, encontrei em um Sebo da minha cidade. 
Apocalypse now é um filme de 1979, dirigido por Francis Ford Coppola e inspirado no livro O coração das trevas. O que diferencia o livro do filme é que o contexto do livro diz respeito à exploração de marfim e outros no continente africano, já o filme se contextualiza na Guerra do Vietnã. O filme vai contar a história do capitão Willard, que recebe uma missão secreta de encontrar o coronel Kurtz e matá-lo, sob o pretexto deste ter-se utilizado de métodos não humanos para matar, além de estar "descontrolado" psicologicamente. Ao longo de sua viagem em uma pequena embarcação pelo rio Nung, o capitão Willard vê muita insanidade e insensatez na Guerra do Vietnã. Vê tantas coisas horríveis que começa a se questionar sobre o motivo de sua missão para com o coronel Kurtz, que passou a ser considerado um deus pelos montanheses e nativos, que o adoravam e veneravam. 
A premissa do filme e do livro é realmente muito boa, questiona o que é ou não permitido em uma Guerra, o que é normal ou anormal, mostra o horror que o homem é capaz de fazer em um contexto de Guerra, em uma selva em que tudo pode acontecer. E nos faz uma indagação: Kurtz estava louco, insano ao se deixar permitir ser venerado pelos nativos? Seria mesmo ele o louco, esquecendo-se da loucura maior que era a Guerra? O quão irônica poderia ser essa missão que envolve a moral, mas o que é a moral em uma Guerra?
O filme em minha opinião foi bem melhor do que o livro (está aqui uma das exceções em que isso acontece). Mas, ainda assim, em meu míope olhar de leiga leitora e espectadora, faltou algo que eu não sei definir o que é. Mas é uma história que vale a pena ser conhecida. 


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Mrs. Dalloway - Virgínia Woolf



Diria que Mrs. Dalloway é o retrato de uma época, de uma sociedade burguesa inglesa pós-guerra mundial. Toda a história se passa em um único dia (recurso usado por outros autores como James Joyce), no qual Clarissa Dalloway dará uma festa em sua casa para a alta sociedade. O livro inicia com uma simples ida a floricultura até a festa que é dada pela protagonista em sua casa à noite. Para contar essa história, Virgínia Woolf usa do fluxo de consciência, ou seja, é uma técnica literária na qual o autor transcreve o processo de pensamento de um ou mais personagens, associando ideias e fazendo "hiperlinks" mentais.
A leitura não flui muito bem, mesmo sendo um livro de 188p. [na Edição da Folha], justamente por causa da maneira da narrativa: excesso de pensamentos e a troca constante de pessoas [junto com seus pensamentos]  e lugares. Este livro exige um pouco mais do leitor, pois primeiro as personagens são jogadas no texto, para depois você compreender quem são e a sua relação na história. Esse livro me lembrou a escrita de Lygia Fagundes Telles, em seu livro "As horas nuas", Em ambos as protagonistas são mulheres de meia-idade, com amores do passado, relação mãe-filha não muito boa...
A leitura é válida com certeza, mas não espere devorar com facilidade as palavras de Virgínia. 

Um fato curioso retirado do livro Conversando com Mrs. Dalloway (vide referência ao final):

Virgínia Woolf perdeu a mãe ainda na adolescência, e uma amiga muito devota chamada Katharine  "Kitty" Maxse prometeu cuidar de Virginia e sua irmã Vanessa. Katharine era uma socialite de almanaque, que seguia as regras de etiqueta dessa sociedade e cuja vida girava em torno das expectativas sociais. Virgínia nunca se deu muito bem com Kitty, pois tinham personalidades bastante diferentes. Muitos anos depois, Kitty veio a falecer com um tombo em sua casa. Nada tirava da cabela de Virgínia a suspeita de que fora suicídio, e que talvez Kitty não fosse assim tão perfeita como parecia. Kitty serviu de inspiração para Virgínia ao criar sua personagem que depois de um conto, ganhou lugar em um romance. 


REFERÊNCIA:

Johnson, Celia Blue. Conversando com Mrs. Dalloway:  a inspiração por trás dos grandes livros de todos os tempos. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013. 


Obs: Esse livro é muito interessante. Traz várias curiosidades sobre a inspiração de grandes clássicos da literatura e seus processos de escrita, Vale a pena conferir!!!